Os Reis Históricos


    Quando os portugueses chegaram ao rio Zaire, em 1482, encontraram nessa religião da Africa Medieval o que o historiador lusitano Antônio Almeida chamou de "um dos agregados populacionais negros mais importantes de todos os tempos- o império Congo".
     Missionários das mais diferentes congregações levaram ao congo o fascínio da religião católica, levaram ali inúmeras igrejas entre elas, a de Nossa Senhora do Rosário, em Mbanza kongo.
De mesmo modo, a escolha e as solenidades de entronamento dos reis de congo passaram a sofrer influencia da igreja católica, sendo muitos deles coroados por altas autoridades eclesiásticas.
     O congo vivia período de grande expansão e seu rei dominava-se orgulhosamente: Dom Garcia, rei do congo, rei de angola, de matamba, Kundi, Lula, soberano senhor de todos os Ambundos e doutros numerosos reinos que lhe estão ligados na margem direta do Zaire.
     O rei do congo, Dom Garcia Afonso 1, morreu durante a batalha e, com ele, seu filho, o príncipe herdeiro. Rompia-se, assim, a linha de sucessão real congolesa.
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A devoção


     Foi ainda no período inicial da presença de Portugal no congo que os missionários constituição as primeiras irmandades de pretos, tanto na Africa como em Portugal. A relação com Nossa Senhora do Rosário – no mês de outubro – vem de uma tradição já inaugurada em Portugal pelos dominicanos, que já fundaram a irmandade do Rosário para os escravos negros e Portugueses.
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Corações e Entronamentos

     Desde o inicio, ao lado dos dominicanos religiosos e cortejos processionais, as confrarias de preto (e mesmo algumas de branco) representavam coroações de reis, embaixadas reias e batalhas. Já no porto, durante a festa de Nossa Senhora do Rosário, quem informa é Renato Almeida , representava-se desde muito antigamente, a corte de Rei de Congos, com seu rei e rainha. Coração de reis e rainhas já eram costumeiras na Africa, mesmo antes da preparação européia. Afinal, as tribos tinham suas
sobras.
     Congos, é uma espécie de dança, com lutas de espadas e canções, apresentada em festas religiosas, na ocasião, Festa de Nossa Senhora do Rosário realizado no mês de outubro de cada ano, em Rosário – Distrito do Município de Milagres –Ce.
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“Congos” do Rosário


     No distrito do Rosário, Município de Milagres, há um dos mais antigos grupos de “Congos” da Região. Os “Congos”, é uma tradição secular, originada dos negros escravos fugidos e dos levados par trabalhar em fazendas de cana-de-açúcar no Município de Barbalha.
Congos de Milagres     Todos os anos, em Rosário, no mês de outubro, época que se comemora a Festa de Nossa Senhora do Rosário (Padroeira do Distrito), um grupo de pessoas reúnem-se para fazer a seu modo, homenagem à Padroeira. Apresentam-se os homens vestidos com camisas de cetim azul e vermelho, outros com camisas brancas e uma espécie de colete por cima vermelho, uma pequena saia vermelha com bicos de renda sobre as calças, todos com pequenos espelhos e fitas. As mulheres aparecem com vestidos brancos de renda, coroas douradas, estas não usam espelhos na roupa, todos os integrantes, homens e mulheres, trazem uma espada na mão, dançam, cantam, fazendo passos ritmados, batendo forte com os pés no chão, produzindo o som que acompanha suas canções.
     Fazem bonitas e ensaiadas coreografias, abrindo espaço para a encenação de lutas, os membros que vão ao centro fazem uma mistura de dança e luta, enquanto que todos batem espadas com seus vizinhos, em movimentos iguais. Tudo é bem combinado, as batidas das espadas, pisadas fortes, letras das canções e as coreografias que apresentam. Conhecidos como os “Congos do Rosário” ou “Pretinhos dos Congos”, o grupo hoje está miscigenado, porém, mantém uma liderança que passa de pai para filho, desde o tempo mais remoto que seus integrantes têm notícia.
     Segundo o Sr. Raimundo Zacarias, que comanda o grupo desde 1949, essa liderança vem de seu bisavô que passou para participar, é só aprender os cânticos e não faltar as apresentações.
     “Os Congos” por ser de origem escrava, e esta por sua vez uma das raças que deu origem ao povo brasileiro, define então cultura brasileira. Esta manifestação surgiu com a necessidade que os negros tinham de extravasar suas emoções, fugirem do sofrimento que era escravidão; revelar a vontade que tinham de lutar para isso, com também a sua religiosidade, a adoração a Deus.
     Para ingressar nos Congos como brincantes há duas maneiras. A mais costumeira é através de promessa: a pessoa faz uma promessa a Nossa Senhora do Rosário e, se alcançada a graça, ela agradece com devoção dos Congos, isto é tomando parte dele pelo resto da vida. Neste caso, a pessoa comunica ao Mestre o motivo e ele permite a participação, mesmo que não se trate de um bom dançador. Mas, com a pessoa não esteja pagando, também pode ingressar nos Congos.
     Basta ter interesse, ser disciplinada, dedicada e aprender nos ensaios os passos e movimentos da dança e a cantar as peças. Há casos de brincantes que mesmo após anos de ensaio, não conseguem dançar ou cantar de acordo com o que o Mestre considerava satisfatório.
     Doca Zacarias também entrou nos Congos por meio de promessa: Diz ele: “A minha promessa foi a seguinte: Era do meu pai e antes de morrer, pediu pra eu ficar até o fim da minha vida pagando aquela promessa pra Nossa Senhora do Rosário.” A promessa é pra brincar o dia todo andando a pé e sem quase comer.
     Os ensaios iniciam-se cerca de 20 dias antes de cada festa e são realizadas na casa do Mestre de duas a três vezes por semana. O aprendizado é feito basicamente por imitação, isto é, pela a observação dos brincantes mais velhos. O mestre é rigoroso na verificação dos erros e qualquer desvio procedimentos tradicional é corrigido.
     Em Milagres, os Congos apresentam-se no distrito do Rosário, durante as festas de Nossa Senhora do Rosário no mês de Outubro; na sede do município, por ocasião da festa da padroeira, Nossa Senhora dos Milagres, nos dia 6 (dia do hasteamento da bandeira da Santa) e 15 de Agosto; e também com a festa de Nossa Senhora dos Remédios, em 26 de Outubro. Também os Congos apresentam-se nas festas do final do ano, antes da Missa do Galo, celebrada na Matriz, e por ocasião das Renovações do coração de Jesus, que acontecem no interior das residências populares. Nesse último caso, os Congos aparecem apenas cantando benditos, a pedido do dono da casa que em troca oferece um café com bolacha ao grupo.
     As figuras são os personagens permanentes dos folguedos populares. Nos Congos de Milagres são elas: Rei, Rainha, Espantão, Mestre, Contramestre, Embaixadores (dois), Figuras (propriamente ditas), em um número de 20. Por ocasião cortejo, guardam a seguinte disposição: Á frente vai o Espantão, no centro o Rei, a Rainha e atrás deles o Mestre, Contramestre; de cada lado, uma fileira de cerca de 10 figuras, lideradas pelos Embaixadores; ao lado do cortejo, vão os músicos, a Banda cabaçal (dois pífanos, um zabumba e uma caixa de guerra) e tocador de violão.
     Detalhando melhor cada figura, é importante observar o seguinte:
     - Rei: Veste calça e blusa brancas, com um cadarço amarelo ligando os botões também amarelos. Leva uma espada na mão e uma coroa pequena.
     - Rainha: Usa um vestido comprido róseo ou branco e a coroa na cabeça.
     - Espantão: Veste calça azul, com listra branca, camisa, duas faixas cruzadas no peito, uma vermelha, outra amarela, e um chapéu. Conduz na mão uma vara enfeitada de fitas, como o mastro de uma bandeira.
     - Mestre: Ás vezes é o mesmo ‘Espantão’, como no caso de Doca Zacarias. É quem dirige o espetáculo, e ele quem tira as ‘peças’. O Mestre veste calça azul, camisa branca, saiote vermelho, capa (manto) vermelha e chapéu enfeitado. Conduz um apito numa mão e uma espada na outra.
     - Contramestre: É quem substitui o Mestre quando estiver incapacitado de brincar. Veste-se igual ao Mestre e também porta uma espada.
     - Embaixadores: Vetem-se igual ao Mestre e também porta uma espada.
     - Figuras: Todos se vestem igual ao Mestre, Suas “fardas”, como chamam constam de camisa branca, calça azul ou branca com faixa branca ou azul, saiote vermelho, uma capa ou um pequeno manto nas costas e um pequeno gorro (ou capacete) na cabeça. Alguns brincantes enfeitam o traje com fitas, outros com espelhos etc.
     As figuras formas uma espécie de coro, que dança, canta, joga espada, responde a chamadas do Mestre e eventualmente, participa de alguma encenação.
     A cultura é aprendida, porque se verifica um processo de transmissão dos mais velhos aos mais novos, à proporção que estes se vão incorporando a sua sociedade. À medida que tempo passa, os homens vão adquirindo costumes e valores de seus antepassados, aperfeiçoando-os, adequando-os aos seus hábitos atuais, transformando a cultura e dando continuidade a sua existência.
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